O fast fashion e o trabalho (ainda) escravo

O fast fashion, modelo de negócio de grandes varejistas de vestuário, está baseado na compra de coleções de também grandes atacadistas. Estes, por sua vez, na maioria dos casos, terceirizam suas produções por encomenda a médias e pequenas confecções, facções e até mesmo costureiras, algumas organizadas em cooperativas, outras não.

Numa ponta desta cadeia está o consumidor final da peça, que a adquire em centros de comércio, lojas de departamento ou mesmo em lojas de rua de grande circulação de pessoas e mercadorias. Na outra ponta, nas mãos que cortam e costuram as roupas, estão os trabalhadores de uma engrenagem nem sempre tão transparente.

 O Estado de Santa Catarina é o segundo maior polo de produção têxtil do País e ocupa o 4º lugar no índice de Estados com maior número de trabalhadores em condições análogas à de escravo segundo o Cadastro de Empregadores do Ministério do Trabalho e Emprego.

A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX) lançou em 2010 o “Programa ABVTEX” no intuito de combater e coibir o uso de trabalho análogo à condição de escravo e também o infantil. O esforço reúne empresas varejistas em torno de uma bandeira: o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva e de fornecimento, e a aplicação de regras de compliance.

A inclusão de uma empresa na “lista suja”, no Cadastro Nacional de Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho e Emprego, traz consequências sérias e em grande parte irreparáveis à empresa, pode rescindir crédito, cancelar inscrições estaduais de funcionamento, impactar no relacionamento com fornecedores e perante todo o setor produtivo, além de chegar aos consumidores, detentores do poder de decisão de voltar a comprar produtos da marca ou não.

O esforço pelo reconhecimento das empresas pela ética e transparência nas relações deve fazer parte da rotina tanto da indústria quanto de agentes de varejo desse importante segmento de mercado, que em 2017, segundo a Abit, faturou mais de R$ 144 bilhões.

Camila Berni Schimanski  – OAB/SC 42.119

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